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Na Montanha Mágica do companheiro Pedro Lemos, un dos varios blogs imprescindíveis do Brasil, aparece hoxe unha referencia a este interesante texto sobre a Igrexa Católica e a súa actitude ante as camisinhas (isto é, o envoltório fino, de borracha, resistente, para recobrir o pênis por ocasião da cópula, impedindo, pela retenção do esperma, a fecundação da mulher, e protegendo o homem de possíveis infecções sifilíticas ou gonocócicas, en definición precisa do Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Auélio Buarque de Holanda Ferreira). Sei ben que este texto entusiasmará a moitos leitores en xeral, pero en particular a Vendell, home de fe inquebrantável (que non me cren? lean isto!).Aí vai:

Igreja, sexo e camisinhas

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil sempre deixou claro suas posições em relação ao uso de preservativos nas relações sexuais. Segundo a CNBB, o uso de preservativos é incompatível com os princípios morais, éticos e religiosos defendidos pela Igreja Católica, e por conseguinte a Igreja não aprova a campanha que o governo desenvolve incentivando o uso de camisinhas como uma forma de prevenir doenças sexualmente transmissíveis, em especial, a AIDS. As colocações da CNBB provocam reações negativas, principalmente, entre as ONGs (organizações não-governamentais) que atuam na prevenção do HIV. A discussão está lançada: usar camisinhas é, ou não, pecado?

Inicialmente, podemos levantar algumas das idéias postuladas pela Igreja, e acredito por boa parte dos grupos religiosos, em relação ao sexo e à sexualidade. O sexo é um dom de Deus, sendo por isso algo abençoado, que deve ser praticado diante de certas condições, sendo o casamento uma delas. Outro critério cobrado pela Igreja é a procriação, o cuidado com a perpetuação da espécie humana, uma lembrança do livro do Gênesis (1,28), "crescei, multiplicai-vos e enchei a Terra". Quanto ao corpo, este é considerado como templo do espírito santo, daí a proibição de certas práticas como o nudismo, a prostituição, as perversões e variações sexuais. Homossexualismo, nem pensar, pois como dizia um certo sacerdote: "Deus fez o homem e a mulher, e ponto final".

Portanto, ao contrário do que muita gente pensa, a Igreja não é contra o exercício da sexualidade, desde que a mesma seja praticada com responsabilidade, maturidade, e respeito para consigo e com o parceiro. A posição da Igreja, embora seja considerada conservadora e tradicionalista por vários setores da sociedade, está em sintonia com os princípios éticos, morais e teológicos que sedimentam a doutrina cristiã católica, que visa sobretudo o crescimento pessoal do indivíduo, não apenas como membro da comunidade de fé, mas também dentro de uma perspectiva social, engajada com a construção de uma sociedade justa e feliz.

O simples incentivo do uso indiscriminado de preservativos funciona muito mais como um convite à promiscuidade, ao sexo livre e banalizado, que privilegia o uso do corpo como um fim em si mesmo, endeusando o sexo, tornando as pessoas escravas dos seus próprios instintos, incapazes de reagir a esse torpe esquema de mercantilização do sexo. A Igreja não pode compactuar com tamanha barbárie, pois seria um acinte aos verdadeiros propósitos da existência do sexo nos seres humanos, uma vez que Deus deu o sexo como um complemento a mais para a felicidade humana. Pensar que a Igreja é conservadora quanto à moral sexual é apostar num falso liberalismo, que ao invés de melhorar a sociedade, têm contribuído para um sem número de problemas, como por exemplo o aumento de gravidez entre jovens e adolescentes, a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis, a incidência de adultérios, o aumento do turismo sexual relacionado com a prostituição infantil, e a relativização dos sentimentos (materializada em relações efêmeras e passageiras, mais conhecidas como "ficar").

Quem acusa a Igreja de ser antiquada em relação à moral sexual, se esquece de que a família, que é a base da sociedade, onde aprendemos a viver e a conviver, não pode ser fundamentada apenas no encontro de dois órgãos genitais, mas no encontro de duas vidas comprometidas com a formação de valores éticos e morais, capazes de realizar plenamente o indivíduo, afetivamente e também sexualmente, numa relação de equilíbrio sadio e sensato entre os desejos do corpo e os ditames do coração. A Igreja é uma das poucas intuições do mundo moderno que ainda apostam no caminho do amor, como o único verdadeiramente capaz de conduzir o ser humano à felicidade, libertando-o da pressão do erotismo exercida pela sociedade de então.

Assumir publicamente que é contrária ao discurso mal fadado do uso de preservativos, é uma atitude muito sincera por parte da Igreja, porque é muito cômodo defender aquilo que a maioria pratica, mas é um desafio confrontar a mídia para dizer não ao esquema de exploração e banalização do sexo imposto pelos que ganham milhões em cima da indústria da prostituição e da pornografia. Embora, nem todos compreendam as posições da Igreja, é sempre útil uma voz clamar na multidão, que mesmo condicionada precisa acordar para outros caminhos, visualizar outros horizontes no maravilhoso mundo da sexualidade. Ninguém é obrigado a acreditar ou seguir os ensinamentos da Igreja, cada um tem seu livre-arbítrio, mas uma coisa é certa: a CNBB reafirma seu compromisso com a ética e a moral; sem falsos moralismos, é verdade, mas com muita coragem para denunciar aquilo que afronta e contraria os ensinamentos de Jesus Cristo. Afinal, Igreja não existe apenas para rezar, mas também para conscientizar o cristão e a sociedade.

Para ler o texto no seu contexto orixinal, piquen aquí

2003-07-12, 06:18 | 6 comentarios

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Comentarios

1
De: Vendell Fecha: 2003-07-12 07:32

Anuncios con palabras:
Conferencia episcopal europea permuta iglesia saneada en país católico por puesto similar cerca del Amazonas. Interesados, presentar epístola de referencias. Seriedad y discreción.



2
De: Jaio la espía Fecha: 2003-07-12 09:00

¡Me apunto a lo del Amazonas! ¿Pero tiene que ser una epístola? ¿Bastaría una simple carta a los nada-dores tesalonicenses?

Mr.Pawley le estoy muy agradecida por facilitarme este texto. Andaba yo pensando sobre qué base iba a apoyarme para dejar de ___nicar, que ya una no está para ruidos y me ha dado usted la solución. A partir de ahora solamente alimentaré mi espíritu... golfo. ¿Vale así para la iglesia católica? ¿o además el espíritu debe ser angelical (sin sexo, vamos)?
¿Y si en lugar de camisiñas se utilizaran gabardiñas? ¿Tendríamos una segunda oportunidad de pecar? ¡Ay! qué desazón.



3
De: Pedro Lemos Fecha: 2003-07-12 10:09

Pois então. Podemos pensar numa diversidade de práticas sexuais onde a camisinha é dispensável; contudo, acho que todas devem ser proibidas pelas igrejas ... HeHeHe



4
De: Martin Pawley Fecha: 2003-07-14 11:04

Toda Igrexa que se prece debe proibir as cousas divertidas. É o xeito máis sinxelo de conseguir que unha vida humana convencional acabe en efecto parecendo unha vida eterna.



5
De: Jaio la espía Fecha: 2003-07-15 06:47

jajajajaja Mr Pawley, ¡cierto, cierto!



6
De: satchimuma severino kapussu Fecha: 2005-10-21 11:56

A idade contemporãnea tem se apresentado extremamente desafiadora, oferecendo modelos de condutas que extravasam os limites da moral social deturpando as consciências menos doutas. Ante a estes factos,somente a Igreja, como Mãe e Mestra oferece horizontes para uma recta orientação e salvação da humanidade.



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