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Pedro Magalhães é investigador do Instituto de Ciencias Sociais da Universidade de Lisboa e responsábel das sondaxes eleitorais do Centro de Sondagens e Estudos de Opinião da Universidade Católica. Mantén desde primeiros de ano un valiosísimo blog chamado Margens de erro no cal fala de enquisas, analisándoas de xeito crítico e aportando ideas moi estimulantes sobre as mesmas: como están realizadas, que grao de fiabilidade teñen, que hai que facer para facelas ben, que hai que facer para facelas mal... Como el mesmo dixo nun dos seus primeiros posts, "Não é que me sinta incapaz de analisar as sondagens feitas por outros de uma forma, digamos, imparcial. O que se passa é que acho que há maneiras melhores e maneiras piores de fazer as coisas, e procuro adoptar as primeiras. Logo, é provável que, de vez em quando, venha a ser crítico daqueles que não fazem como eu. Como poderia ser de outra maneira?"

Pedinlle ao Pedro que escribise un pequeno artigo sobre as (case inmediatas) eleicións galegas, e moi amabelmente el aceptou. E ben que llo agradezo, abofé.

Entretanto, no "Minho Norte"

Fui desafiado há uns tempos pelo dias estranhos, um blogue da Galiza ("Minho Norte" para eles, tendo em conta que Portugal é "Minho Sul"), a escrever qualquer coisa sobre as sondagens para as eleições autonómicas do próximo dia 19. Hesito, porque sei muito pouco - muito menos do que devia e gostaria - sobre a política galega. Mas não custa alinhar alguns resultados de sondagens e pensar um pouco sobre elas, rezando para que as minhas fontes estejam correctas. Por ordem cronológica crescente, as que detectei (redistribuo indecisos e arredondo casas decimais):

1. Universidade de Santiago de Compostela, Novembro-Dezembro 2004, N= 1200, face-a-face.
PP: 31% (34-35 deputados)
PSdeG: 28% (23-24 deputados)
BNG: 21% (17 deputados)
Outros: 20% (tantos?)

2. Instituto Opina, 2-4 Maio, N=1500, ?.
PP: 35% (36-37)
PSdeG: 34% (27)
BNG: 13% (11-12)
Não tem outros.

3. Sondaxe, 27 Abril-4 Maio, N=4000, ?.
PP: 45% (36)
PSdeG: 32% (24)
BNG: 21% (15)
Outros/brancos: 2%

4. CIS, 29 Abril-11 Maio, N=1600, face-a-face.
PP: 46% (36)
PSdeG: 33% (23)
BNG: 21% (16)

5. Instituto Opina, 5 Junho, N=1000, face-a-face.
PP: 45% (35-37)
PSdeG: 33% (25-27)
BNG: 20% (13)

6. Anova Multiconsulting, 31 Maio-7 Junho, N=2000, telefone:
PP: 47% (38)
PSdeG: 31% (22)
BNG: 19% (14)

7. Sigma Dos, 6-8 Junho, N=800, telefone.
PP: 47% (37-38)
PSdeG: 30% (23-24)
BNG: 20% (13-14)

8. Instituto Opina, 12 Junho, N=1000, face-a-face.
PP: 42% (34-36)
PSdeG: 35% (25-26)
BNG: 19% (15)

Há ainda outras duas de um instituto chamado Infotécnica, mas do qual apenas obtive distribuições de deputados. Ambas as sondagens, uma de Abril e outra de Maio, deixam tudo em aberto quanto à maioria absoluta, para a qual o PP precisa de 38 deputados. O sistema eleitoral galego tem, segundo a explicação do dias estranhos, uma cláusula-barreira de 5%, abaixo da qual o partido não obtém deputados, o que basicamente trannforma a coisa num jogo PP-PSdeG-BNG.

O que posso dizer sobre estes resultados? Três coisas:

1. Dos vários institutos que fizeram sondagens, os mais conhecidos e reputados (e de dimensão nacional) são o Opina, a Sigma Dos e, claro o CIS. Mesmo que quiséssemos dar maior credibilidade aos resultados destes - e não estou seguro que assim seja - isto não nos levava longe. Enquanto a Sigma Dos dá um resultado mais lisonjeiro para o PP, o CIS e o Opina negam a maioria absoluta ao PP.

2. Agora, para mentes perversas. Em que meio de comunicação são divulgadas as sondagens Opina? El Pais e Cadena Ser (Grupo Prisa). Em que meio de comunicação são divulgadas as sondagens Sigma Dos? El Mundo. A quem pertence o CIS? À Presidência do Conselho de Ministros de Espanha. Tirem daqui as conclusões que entenderem. Eu, por mim, não queria tirar muitas, mas que é tentador, é.

3. Se há alguma conclusão que se possa, com muito cuidado, tirar, é esta: nenhuma das sondagens que sabemos ser conduzidas face-a-face dá maioria absoluta ao PP, e nenhuma passa dos 46% das intenções de voto. Ambas as sondagens que sabemos ter sido conduzidas pelo telefone dão 47% e abrem a possibilidade de maioria absoluta.
O que vou dizer de seguida baseia-se em muito poucas observações e muito palpite, mas eu confiaria mais nas sondagens face-a-face. Quando um partido está no poder desde que há poder, quando estamos num território com forte peso de eleitorado rural e uma economia pouco diversificada, muito dependente de decisões do poder autonómico a vários níveis, será que podemos confiar em sondagens que ligam para casa dos eleitores e lhes perguntam se, afinal, sempre vão votar em Fraga? As sondagens face-a-face, pelo menos, permitem a utilização de métodos que minimizam a ocultação do voto (simulação de voto em urnas) e diminuem as recusas. Não se as primeiras já foram utilizadas, mas seja como for, a experiência das eleições locais em Portugal confirmam a superioridade das sondagens face-a-face (ao contrário do que sucede nas eleições nacionais, onde não faz diferença).

É isto. Gostava de poder dizer mais, mas é tudo o que sei. Votem bem.

Pedro Magalhães, Margens de erro.

2005-06-16, 12:49 | 2 comentarios

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Comentarios

1
De: dorfun Fecha: 2005-06-16 16:46

...enquisas e medios de comunicación!!! ...calafrío!!! recomendolle:
Un matemático lee el periódico e un par de Nívola, dos que non lembro o nome :(



2
De: Vendell Fecha: 2005-06-16 17:04

Botaremos ben, claro que sí. Grazas Pedro.



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