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> Outras vozes: "Assim como são as pessoas, são as criaturas", por Cesar Valente <

Cruzamos imaxinariamente as augas grandes até chegar a Florianópolis, no sur do Brasil. Alí recíbenos un extraordinario cronista catarinense, Cesar Valente, responsábel dalgunhas das mellores páxinas da blogosfera. Carta aberta, unha das miñas bitácoras de referencia, é unha continua lección de exquisitez. A ironía e o humanismo van nela da man nuns textos que transmiten ao leitor a certeza de que o seu autor ten que ser por riba de todas as cousas unha boa persoa.

Teño o grande pracer e a honra de presentarlles, hoxe e aquí, un magnífico post do grande mestre. Muito obrigado, Cesar, por esta colaboración e pola amabilidade que sempre amosaches comigo:

Assim como são as pessoas, são as criaturas

No ano passado um casal, pequeno produtor de ostras na costa do Pacífico do Canadá, veio passar umas semanas no Ribeirão da Ilha, comunidade produtora de ostras na Ilha de Santa Catarina (município de Florianópolis, sul do Brasil). Participavam de um programa de intercâmbio em maricultura. Eles não falam português e o pessoal daqui não fala inglês. Durante as reuniões de trabalho e a troca de experiências técnicas, havia intérpretes, mas nas horas vagas, não.

Pois logo nos primeiros dias, uma das moradoras do local pegou seu fusca (vw carocha, escarabajo, pulguita, beetle) e levou-os para conhecer a ilha. Entenderam-se sabe-se lá como. Por gestos, sons, o que seja. Chegaram a comprar um maiô para a canadense estrear no mar catarina, riram muito, divertiram-se. E nos demais dias, toda a comunidade, de origem açoriana, compreendeu e foi compreendida pelos "estrangeiros". Que aprenderam novas técnicas, surgidas da criatividade do pessoal local e mostraram como eles faziam as coisas, deixando também algumas novidades. Mas o mais importante, a meu ver, foi a experiência humana que todos viveram.

Quando a gente vê coisas assim (e isso, imagino, acontece com freqüência em todos os cantos do mundo) começa a achar muito estranhas as barreiras fronteiriças, as limitações de trânsito, os impecilhos de toda ordem para que as pessoas se encontrem com seus semelhantes de outros lugares.

Viajar sempre faz bem. Conhecer outras culturas, para aprender a respeitar sua existência, é fundamental. E os seres humanos, quando não estão metidos em pequenos ódios e disputas irracionais, são sempre muito interessantes.

Cesar Valente, Carta aberta

hoxe hai un ano: Non o entenden

2004-05-10, 01:00 | 6 comentarios

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Comentarios

1
De: Martin Pawley Fecha: 2004-05-10 23:24

Reparen de novo na desarmante simplicidade da última frase:

E os seres humanos, quando não estão metidos em pequenos ódios e disputas irracionais, são sempre muito interessantes.

Xenial, coma sempre, o Cesar!



2
De: Giniki Fecha: 2004-05-11 00:52

Concordo com você. O Professor Valente consegue resumir muito bem o que mal conseguimos dizer com mil palavras.
Perfeito!



3
De: leonor combing Fecha: 2004-05-11 08:27

e que hai muitas maneiras de nos comunicarmos amais de lhe berrarmos insistentemente à gente que fala línguas diferentes da nossa, como costumamos fazer por aqui.



4
De: Teruska Fecha: 2004-05-11 11:59

A palavra é sempre imprecisa.Ou quase sempre.E nem sempre é preciso.Ou quase sempre.



5
De: Guga Fecha: 2004-05-11 12:50

Dá-lhe Floripa! U-hú!



6
De: Leonel Vicente Fecha: 2004-05-12 08:51

Vale sempre a pena ler o "Mestre César".
Parabéns.



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