caderno dun rencoroso enfermo de cinefilia
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O povo é quem mais ordena

hoxe hai un ano: 25 de Abril

2004-04-25, 01:00 | 15 comentarios

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Comentarios

1
De: Martin Pawley Fecha: 2004-04-25 16:24

Imaxe tomada deste post de Paulo Pereira no blogo social portugués



2
De: Anónimo Fecha: 2004-04-25 20:54

Aquel día foi un dos máis emocionantes da miña vida. Nas primeiras horas da mañá e despois de ler o que os xornais (dos que pouco nos fiábamos) contaban de que en Portugal houbera un golpe de estado, houbo que procurar información no medio daquela situación tan confusa. A media mañá comezaron a chegar as confirmacións de que o do golpe era certo. Non sabíamos como reaccionar, a expresión “golpe de estado” non nos daba ningunha confianza, só se sabía dun caso, aquel “golpe á peruana” dos anos sesenta, onde os golpes non foran para peor, pero, había algo peor que o “Estado Novo de Caetano”? Hai que ter en conta que cantabamos as cancións de Luís Cillia, coma aquela que dicía: “Caetano e a súa democracia: / a mesma merda, distinta porcaria”.
A prensa falaba de que o golpe era cousa de oficiais da guerra colonial... (?) Iso non era tranquilizante. Tirámonos ás emisoras portuguesas... Algunhas tiñan música militar!
Pero chegou a hora de xantar e xa comezaron a chegar as boas novas: as rúas de Lisboa estaban cheas de xente que entregaba cravos vermelhos aos soldados, e bailaba e cantaba polas rúas.
As noticias voaban (unhas certas e outras resultaron ser falsas, pero daquela non se sabía): o pobo ceibara os presos políticos de Caxias! O goberno estaba todo detido e sen pegar un só tiro. Tamén Caetano estaba detido no Carmo. Non houbera nin un morto nin un ferido! O Rossio era unha festa. Os PIDEs están fuxindo á Tui e a Verín onde os protexía a Policía Político-Social do franquismo... E así toda tarde.
Pola noite xa sentimos a Soares en Radio France... Entón comezou a se saber todo o que xa hoxe sabemos...
E eu tiña que ir a Portugal oito días despois: o 1º de maio. E fun, e aquel foi o meu primeiro Primeiro de Maio en liberdade, sen a “Demostración sindical do franquismo”. Alí vin a xente das aldeas do norte cantar e bailar celebrando a liberdade, bailei con eles e chorei coa emoción. Un vello cantaba: “É mau, é mau, é muito mau / Tenreiro já não vende mais bacalhau” (Tenreiro era o monopolista do bacallau en Portugal).
Despois Lisboa o día 2... o Rossio... a Alfama... O Chiado... Pombal... a Avda. da Liberdade...
A máis formosa cidade de Europa era livre...
Xa van aló trinta anos...
Xa vai lá a revolução dos cavos... Cá fica só uma lembrança! Que pouco é!



3
De: Martin Pawley Fecha: 2004-04-25 22:01

Anónimo, moitas grazas pola maravilhosa lembranza daquela data. É imposível non amar Lisboa, pero ademais para nós os galegos esa cidade representa case un segundo fogar ao cal nunca poderemos sentirnos alheos. Espero que algún día coincidamos por alá os dous ao mesmo tempo: non se me ocorre ningún guía melhor que vostede para vivir esa cidade inesquecível.



4
De: Leonel Vicente Fecha: 2004-04-25 23:22

Obrigado Martin, por teres colocado esta imagem, que recorda a Revolução que possibilitou que Portugal deixasse de ser uma ditadura.



5
De: Martin Pawley Fecha: 2004-04-25 23:36

Xa lembrei a data o ano pasado, e así sucederá sempre neste blog, companheiro.

Como é lóxico a blogosfera portuguesa ocupouse intensamente do aniversario. Ademais dun blog específico adicado ao 25 de abril ao que poden acceder picando na foto, paseándose estes días polos blogs ao sur do Minho poderán disfrutar de visións moi diferentes sobre esta materia. Recoméndolhes especialmente o emocionante repaso hora a hora dos acontecementos daquela xornada histórica que nos proporciona a Memória Virtual do Leonel Vicente.



6
De: Martin Pawley Fecha: 2004-04-25 23:43



Mais uma foto. Lamento non lembrar de onde a colhín... :-(



7
De: Martin Pawley Fecha: 2004-04-26 01:34

Róubolhe ao Leonel un dos seus posts. Retrocedamos no tempo 30 anos e un par de dias. Como era Portugal o 24 de abril de 1974?

...muitos livros, muitos filmes, muitas músicas, eram proibidos.
No dia 24 de Abril de 1974, o que foi publicado nos jornais foi visado por uma comissão de censura prévia.
A maior parte da população portuguesa não dispunha de uma casa de banho, nem de frigorífico nem de televisão.
Existia uma polícia política que torturava os presos nas cadeias.
No dia 24 de Abril de 1974, cerca de metade das casas em Portugal não dispunham de água canalizada.
Há 30 anos, Portugal vivia sob um regime ditatorial, em que a liberdade de expressão era reprimida.
No dia 24 de Abril de 1974, milhares de jovens portugueses combatiam em guerras perdidas e sem sentido, em Angola, na Guiné e em Moçambique, nas quais mais de 8 000 perderam a vida, para além de mais de 15 000 que sofreram deficiências permanentes.
Há 30 anos, cerca de 1/3 dos portugueses não sabiam ler nem escrever; as mulheres não tinham (nem sequer "no papel") os mesmos direitos que os homens.
No dia 24 de Abril de 1974, a maior parte dos portugueses não dispunha de assistência médica, nem de cuidados de saúde essenciais.



8
De: Martin Pawley Fecha: 2004-04-26 01:51

Estamos na noite do 24 de Abril de 1974. Fala João Paulo Diniz, desde os estudios do Rádio Clube Português e a través dos "Emissores Associados de Lisboa":

Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74, "E Depois do Adeus"

E soa esta canción.

É a senha de inicio da Revolução.



9
De: Martin Pawley Fecha: 2004-04-26 02:25

Perdoen a batería de comentarios,pero como ben saben vostedes pola rede adiante hai unha chea de cousas interesantísimas... O Paulo Pereira, do blogo social portugués, posteou hai pouco este magnífico texto:

Abril é Revolução

Na semana em que se comemoram os 30 anos do 25 de Abril, multiplicam-se os debates e as evocações duma data que já ocupa um lugar na História e é, em simultâneo, suficientemente próxima para despertar as paixões de quem a viveu e pelas marcas que deixou no quotidiano de todos os portugueses, mesmo os que disso não tenham consciência. Não admira que todas as forças políticas se manifestem, a começar pelo governo PSD-PP que se desdobra em inaugurações e procura marcar terreno ideológico com os célebres cartazes “Abril é Evolução”.

Para disfarçar a grosseira falsificação histórica, os arautos mais lúcidos da direita vêm deitar água na fervura, dizendo que os cartazes homenageiam a evolução que só foi possível graças… à revolução! Fica apenas por explicar porque caiu o famoso R, justamente na data em que a revolução comemora 30 anos. A evolução de que falam os cartazes remete ainda para a célebre “evolução na continuidade” - ainda hoje estaríamos à espera que Marcelo Caetano anunciasse a democracia numa “conversa em família”… Quando muito, teríamos uma transição “à espanhola”, sem os sobressaltos duma revolução que “destruiu a economia e destroçou a pátria”, segundo os saudosistas da extrema-direita presentes no próprio governo, cujo verniz democrático estala de cada vez que abrem a boca para destilar veneno sobre a descolonização e o próprio 25 de Abril.

Estes pontos de vista, derrotados pela História, procuram explorar o descontentamento actual e dão alento a fenómenos como o racismo e a xenofobia. Nenhuma democratização era possível com uma guerra colonial em curso – foi esse o verdadeiro “nó górdio” das tentativas reformistas de Marcelo Caetano, apoiadas por Sá Carneiro e pela chamada “ala liberal” do regime. E não houve processo de descolonização orientado e controlado – como ressalta das recentes entrevistas de Almeida Santos e Vasco Lourenço – mas sim o consumar da derrota política e militar do colonialismo, cujos soldados e oficiais subalternos já se recusavam a combater. A tragédia não foi a descolonização, mas sim a colonização, o tráfico de escravos e o trabalho forçado dos chamados indígenas!

Quando evoca o exemplo de Espanha, onde a polícia política não foi desmantelada e a censura se tornou apenas mais subtil – como se viu no recente 11 de Março, com a manipulação de jornais e da televisão pública pelo governo de Aznar - alguma direita revela a sua preferência por um modelo de “democracia musculada”, incompatível com o 25 de Abril e com a Constituição que dele emanou. O que mais lhes doeu é que um golpe de estado, que pôs fim à mais longa ditadura do século XX, tenha aberto as portas a um processo revolucionário cuja principal conquista foi o povo descer à rua e aprender a formular as suas próprias reivindicações, tomando em mãos os seus destinos - mesmo que lhe tenham roubado o sonho...

Esses 580 dias - do 25 de Abril de 1974 ao 25 de Novembro de 1975 – são dos momentos mais exaltantes da História de Portugal e hão-de fornecer sempre novos motivos de estudo aos investigadores. Em larga medida, o avanço revolucionário de 1975/75 constituiu uma resposta mais que legítima às intentonas reaccionárias do 28 de Setembro 74 e do 11 de Março 75, por parte duma burguesia financeira, industrial e agrária habituada a décadas de proteccionismo e à lei do chicote, incapaz de conviver com regras mínimas da democracia. Até que o quarto governo provisório decretou as nacionalizações, com o apoio de todos os partidos (incluindo os que integram o actual governo) e os assalariados rurais do Alentejo e Ribatejo avançaram para a ocupação das herdades abandonadas pelos agrários, em fuga para o Brasil ou para a Suíça.

Todos nós, que tivemos o privilégio de viver esta época exaltante, aprendemos na escola da vida duma revolução que não vinha escrita nos livros – o que, só por si, prova o seu carácter genuíno e transformador. Que a revolução desperte o horror dos apóstolos do neoconservadorismo português, os mesmos que aplaudem G. W. Bush, é bom sinal. Mais ainda quando ela não é evocada apenas como passado mas como futuro, pois não está escrito em nenhum livro sagrado que as revoluções do século XXI se detenham nos marcos estreitos do capitalismo e da guerra infinita - o verdadeiro paradigma do seu triste “fim da História”. Trinta anos depois, a Revolução ainda é uma criança. E, como diz a canção, "não é minha nem é tua, é de quem a apanhar…".



10
De: Soocamiño Fecha: 2004-04-26 09:43

Do relato que fai Celeste, uma muller á que se atribúe ter sido a que propiciou, co seu xesto despois seguido pola poboación de Lisboa, de entregar cravos vermelhos aos soldados:
"Cheguei ao pé do tanque e perguntei o que é que se passava. E um soldado respondeu-me: ‘Nós vamos para o Carmo para deter o Marcelo Caetano. Isto é uma revolução!’ ‘Então, e já estão aqui há muito tempo?’, perguntei eu. ‘Estamos desde as duas ou três horas da manhã. A senhora não tem um cigarrinho?’ ‘Não, eu não fumo. Se tivesse alguma coisa aberta, comprava-vos qualquer coisa para comer, mas está tudo fechado. O que eu tenho são estes cravos. Se quiser tome, um cravo oferece-se a qualquer pessoa.’ Ele aceitou e pôs o cravo no cano da espingarda. Depois dei a outro e a outro, até ao pé da Igreja dos Mártires. Foi lindo..."

"Correu tudo muito bem", diz Celeste. "Tinha de correr, pois os cravos estavam nas espingardas e elas assim não podiam disparar...".
http://www.vieiros.com/noescaner/nova.php?Ed=1&escaner=35998&id=36000



11
De: deneno Fecha: 2004-04-26 21:06

Puxen a mesma foto, non sabía de onde a sacara, é moi boa!!



12
De: eva-lamaga Fecha: 2004-04-27 09:06

É a imaxe máis bonita que vin en moito tempo, Martin Pawley, gracias.



13
De: indi Fecha: 2004-04-27 09:46

Um prazer ler-vos



14
De: nando Fecha: 2004-04-30 00:18

fermosa imaxe que xa estou "roubando"...



15
De: Martin Pawley Fecha: 2004-04-30 00:42

Rouben, rouben sen medo.



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